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Momento gritante.

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Ser humano é ser errante, é ser esquizofrênico (num sentido de possuir duas máscaras para sobreviver em um terreno tão imprevisível como este mundo), é ser ator de tragédias e comédias. Ser humano não é ser bom ou mau, é ser ambos, é ser misto de sentimento, de personalidade, de face conforme o estímulo que se apresenta. Rousseau estava errado. Quanta ousadia!, grita alguém que me julga por minha pouca idade e escassez conhecimento. Mas nós, como humanos, somos todos ousados, não é mesmo? Então chamem de arrogância, chamem de ousadia, mas eu não retiro esse aforismo: Rousseau estava errado. O utópico humanista (nem consigo recordar de um humanista que não o fosse), dizia que o homem nasce mau e a sociedade o corrompe. Um erro absurdo que devia ser reparado. Não ensinem isso nas escolas, não levem tal idéia para suas vidas. Que nossas crianças não cresçam culpando a sociedade por seus defeitos, que paremos com esse mau hábito de procurar bodes expiatórios para nossas dores! “É que alguém tem de ser culpado de que se sofra (...)” (Nietzsche).

Sempre teremos que nos lamentar? No final, acabamos por ser todos umas velhas enfadonhas que, por frustração, passam os dias em murmúrios... A sociedade tem sua parcela de culpa pelos crimes, pela barbárie, pela má educação dos jovens. Mas o homem nasce bom E mau, e ainda assim nasce com algo mais, essa fagulha poderosa que denominamos livre arbítrio. Posso receber estímulos para me tornar má, mas como ser humano que sou, devo escolher, optar: será isso mesmo que espero para minha vida? A máxima mais conhecida de Sartre se aplica aqui: “A existência precede a essência (...) o homem nada mais é do que aquilo que tiver projetado de si mesmo”. O que vemos pelos cantos das cidades, nas tribos juvenis? Futuros adultos mergulhados em lamentações, resmungando seus problemas, culpando o mundo pela maldição que carregam nas costas. Isso é como bomba explodindo em meus ouvidos, que tolos são esses senhores de vinte anos! Como se eles não pudessem mudar o curso das coisas... Preguiçosos detestáveis, culpam os pais, culpam a sociedade, culpam o cachorro por tudo que se passa de errado em suas existências pacatas. E de quê lugar surgiu esse nojo? Ora, não foi uma idéia incutida por Rousseau, de que a sociedade nos corrompe? Pois digo: só é corrompido aquele que se deixa corromper, só cala sua boca aquele que permite que outros a mandem calar. Humanos? Chego nesse ponto e já nem sei se posso chamar essa coisa imunda que trafega pelas calçadas, pelas lojas, pelas universidades, de HUMANO. Somos ratos, a partir de agora. Aliás, foi o primeiro animal fedorento que me veio em mente, até devo pedir-lhes perdão por compará-los a humanos (...) Mas a partir de agora, vocês são todos ratos para mim. São sujos, fedorentos, causam-se náuseas só de pensar em vós. Passam o longo do tempo a roer (roedores de almas, de sentimentos, de tudo!), urinar, cagar, reproduzir mais seres nojentos como vós. Passam esse legado imundo para frente, sem nenhuma vergonha na cara. Por que não sois como Brás Cubas? Ele sim tinha ciência de sua própria insignificância e, justamente por tal, não teve filhos. Mas vós, ah vós!, reproduzis um bebê atrás do outro, como ratos que não param de acasalar e parir, acasalar e parir e nada mais. Pessoas sensatas não jogam crianças no mundo como se fossem ratos. Mas sois ratos mesmo, não? Esse é vosso bem, vossa volúpia (...) E ensinais para esses rebentos que devem culpar a sociedade, que devem culpar os políticos, que devem atribuir tudo que lhes é nefasto à tudo que é alheio. Ratos! Olhem para dentro de si, ou não olhem, a não ser que algo atrapalhe vossa visão da verdade. Porque, se vires o que realmente sois, e se tiverdes noção do quanto isso que aparece no espelho (vós mesmos) é inútil, mesquinho, e podre, ah!, o destino é a morte por remorso, morte por arrependimento, morte por vergonha (...) Mas quem sou eu, outra rata imunda, para dar lições de moral aqui?


Do Melhor Linkk | del.icio.us

Um Comentário »

  1. Marcus Meneses — 14-11-2008 - 17:47:49 GMT 1

    : )
    e qual balança pesará o que é "bom" e o que é "mau" ?
    não me entenda mal. Apóio seu ponto de vista, mas o considero impregnado de percepção própria. Mesmo que na minha percepção própria, eu considere o meio produto do homem, e não o reverso.

    mail me!

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