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Arquivo: Maio 2007

Minha linha: The B. (a) Eu me sigo.

thebarbara 30/05/2007 @ 04:49

preto-e-b-1.jpg Era uma manhã sinistra.
Eu não encontrava minhas meias.
Meus livros não estavam na estante.
Meus CD's piratas estavam quebrados.

Era uma manhã sinistra.
Eu desconstruí a poesia.
Proferia a primeira 'bobagem' que me vinha.
Coloquei tênis diferentes.

Era uma manhã sinistra.
Os grilhões foram vencidos.
Os dogmas aterrorizados.
Eu resolvi fazer o que me dava (na cabeça).

Era uma manhã sinistra.
Eu sou livre para fazer o que quero.
Nem 'de esquerda', nem 'de direita'.
Nem marxista, nem capitalista.

Era uma manhã sinistra.
Em que eu passei a seguir uma linha:
a minha.
Eu desconstruí a poesia.
E a manhã também foi desconstruída.

The B. (a)

The Best.

thebarbara 30/05/2007 @ 04:42

sex-pistols-2.jpg Sex Pistols é a melhor banda de todos os tempos. Prova que o importante não é quantidade, mas qualidade. Ousadia, quebra de valores estabelecidos, grunhido nas orelhas da Monarquia. Jamais haverá igual. Sem Sex Pistols, o punk não seria nada. Eis o ícone do movimento.

Formidável II

thebarbara 29/05/2007 @ 06:46

calvin-9.jpg

Extremos de um mesmo ser.

thebarbara 28/05/2007 @ 04:03

faces.jpgA minha vida oscila
Do extremo para o meio
E do meio para o nada

A minha vida oscila
Do recato ao encanto
E do encanto ao canto (da sala)

A minha vida é feita de oscilações
Muitas estrofes
Poucos refrões

Eu passei da insignificância ao ponto
Do ponto à linha
E a linha se perdeu no espaço curvo.

Do sonho à vida
Da vida à morte.

A minha vida oscila ao acaso
E eu sou serva fiel dessa sorte.

Momento gritante.

thebarbara 28/05/2007 @ 03:56

banss
Ser humano é ser errante, é ser esquizofrênico (num sentido de possuir duas máscaras para sobreviver em um terreno tão imprevisível como este mundo), é ser ator de tragédias e comédias. Ser humano não é ser bom ou mau, é ser ambos, é ser misto de sentimento, de personalidade, de face conforme o estímulo que se apresenta. Rousseau estava errado. Quanta ousadia!, grita alguém que me julga por minha pouca idade e escassez conhecimento. Mas nós, como humanos, somos todos ousados, não é mesmo? Então chamem de arrogância, chamem de ousadia, mas eu não retiro esse aforismo: Rousseau estava errado. O utópico humanista (nem consigo recordar de um humanista que não o fosse), dizia que o homem nasce mau e a sociedade o corrompe. Um erro absurdo que devia ser reparado. Não ensinem isso nas escolas, não levem tal idéia para suas vidas. Que nossas crianças não cresçam culpando a sociedade por seus defeitos, que paremos com esse mau hábito de procurar bodes expiatórios para nossas dores! “É que alguém tem de ser culpado de que se sofra (...)” (Nietzsche).

Sempre teremos que nos lamentar? No final, acabamos por ser todos umas velhas enfadonhas que, por frustração, passam os dias em murmúrios... A sociedade tem sua parcela de culpa pelos crimes, pela barbárie, pela má educação dos jovens. Mas o homem nasce bom E mau, e ainda assim nasce com algo mais, essa fagulha poderosa que denominamos livre arbítrio. Posso receber estímulos para me tornar má, mas como ser humano que sou, devo escolher, optar: será isso mesmo que espero para minha vida? A máxima mais conhecida de Sartre se aplica aqui: “A existência precede a essência (...) o homem nada mais é do que aquilo que tiver projetado de si mesmo”. O que vemos pelos cantos das cidades, nas tribos juvenis? Futuros adultos mergulhados em lamentações, resmungando seus problemas, culpando o mundo pela maldição que carregam nas costas. Isso é como bomba explodindo em meus ouvidos, que tolos são esses senhores de vinte anos! Como se eles não pudessem mudar o curso das coisas... Preguiçosos detestáveis, culpam os pais, culpam a sociedade, culpam o cachorro por tudo que se passa de errado em suas existências pacatas. E de quê lugar surgiu esse nojo? Ora, não foi uma idéia incutida por Rousseau, de que a sociedade nos corrompe? Pois digo: só é corrompido aquele que se deixa corromper, só cala sua boca aquele que permite que outros a mandem calar. Humanos? Chego nesse ponto e já nem sei se posso chamar essa coisa imunda que trafega pelas calçadas, pelas lojas, pelas universidades, de HUMANO. Somos ratos, a partir de agora. Aliás, foi o primeiro animal fedorento que me veio em mente, até devo pedir-lhes perdão por compará-los a humanos (...) Mas a partir de agora, vocês são todos ratos para mim. São sujos, fedorentos, causam-se náuseas só de pensar em vós. Passam o longo do tempo a roer (roedores de almas, de sentimentos, de tudo!), urinar, cagar, reproduzir mais seres nojentos como vós. Passam esse legado imundo para frente, sem nenhuma vergonha na cara. Por que não sois como Brás Cubas? Ele sim tinha ciência de sua própria insignificância e, justamente por tal, não teve filhos. Mas vós, ah vós!, reproduzis um bebê atrás do outro, como ratos que não param de acasalar e parir, acasalar e parir e nada mais. Pessoas sensatas não jogam crianças no mundo como se fossem ratos. Mas sois ratos mesmo, não? Esse é vosso bem, vossa volúpia (...) E ensinais para esses rebentos que devem culpar a sociedade, que devem culpar os políticos, que devem atribuir tudo que lhes é nefasto à tudo que é alheio. Ratos! Olhem para dentro de si, ou não olhem, a não ser que algo atrapalhe vossa visão da verdade. Porque, se vires o que realmente sois, e se tiverdes noção do quanto isso que aparece no espelho (vós mesmos) é inútil, mesquinho, e podre, ah!, o destino é a morte por remorso, morte por arrependimento, morte por vergonha (...) Mas quem sou eu, outra rata imunda, para dar lições de moral aqui?

Formidável.

thebarbara 27/05/2007 @ 23:33

Calvin (minha paixão por HQ's, desenhos animados e CIA.)

Fetichismo.

thebarbara 27/05/2007 @ 21:20

ss

Eu não sou contra o salto alto.
Eu não sou contra o batom.

Eu sou contra o fetichismo.

É simples.

Ousadia, a fagulha que nos falta.

thebarbara 27/05/2007 @ 21:04

g Sustento considerável admiração por aqueles que inovam; esses seres raros tomados pelo espírito de agudeza que os torna notáveis, cabeças excêntricas no meio de uma multidão massificada. As pessoas comuns foram produzidas em série; são, fazendo uma comparação com a indústria da moda, frutos de uma facção. Os inovadores, originais, sagazes em suas criações, nasceram da alta-costura, onde cada peça possui sua singularidade encantadora que proporciona regozijo.
Gaultier é um estilista por quem nutro incomensurável respeito. Se há alguém que pode ser chamado de "inovador", esse alguém é Gaultier. De uma sensibilidade única, ele transforma o banal em extravagante, a cultura punk em passarela, o perfume em uma moldagem digna de êxtase por parte de quem vê a embalagem e de quem adere à fragrância. "Não imito nem copio. Ouso". Eis a fórmula da qual carecemos. Minh'alma, à procura permanente de maravilhas, sente-se exultante quando artistas apresentam ao mundo uma quebra com o estabelecido. Essa moral constante da indumentária, da literatura e das produções cinematográficas é-me maçante. Somente a ousadia desses poucos homens/mulheres tomados pela originalidade consegue fazer com que meu rosto habitando sisudez transforme-se em sorriso. É o diferente que me assalta e rouba-me o tédio - criado por um meio insonso chamado 'cotidiano'.

Aplausos sinceros àqueles que têm a ousadia como lema. Essa é a fagulha essencial que nos falta para que despertemos da morte em vida e fiquemos saturados de sonhos (...)

The B. (a)

Liberdade.

thebarbara 27/05/2007 @ 02:33

Louco Deixa-me livre para amar-me.
Deixa-me livre para amar-te.
Deixa-me livre para amá-lo.
Deixa-me livre para amar-nos.
Deixa-me livre para amar-vos.
Deixa-me livre para amá-los.

Deixa-me livre, apenas.
Que isso em mim está inerente.
Até hoje, ninguém soube respeitar a minha liberdade.
Sequer a minha liberdade de amar.
Se não quer deixar-me ser livre,
então deixa-me.

The B.

Feminismo não está ultrapassado.

thebarbara 27/05/2007 @ 02:02

Homem dominado

As feministas lançaram as bases para que as mulheres adquirissem espaço em um mundo predominantemente masculino (mesmo que certos disfarces argutos não deixassem entrever tal realidade). Deram a cara à tapa para homens acéfalos que não aceitavam suas calças compridas, suas queimas de sutiãs em praças públicas e o barulho que faziam para, como Kate Millett, poder dizer: “Olhe irmão, também somos humanas”. E agora todo esse legado de lutas e conquistas é jogado na sarjeta por uma horda de mulheres tolas que anseiam regredir; voltar à época em que os homens lhes compravam presentes caríssimos, tomavam as decisões sobre suas vidas, como tiranos em potencial, e tratavam-nas, tão somente, como delicadas rainhas do lar. O que levou milênios para ser conquistado, está se perdendo, voluntariamente, em questão de anos.
A mulher moderna quer ser uma subordinada (a maioria delas, digo, pois sou mulher e não me enquadro nessa classificação medonha). Se é inteligente, faz de conta que não o é para não desacatar o ego masculino; se é poderosa, nega-o para não correr o risco de ficar “solteirona”, denominação que, para ela, é ofensa das mais graves. Abdica de seus direitos e talentos para ocupar o trono real e realizar o papel de soberana dos serviços domésticos, da maternidade e da beleza física. É o alvo perfeito para receber o tiro certeiro dos publicitários.
Em alguns setores, porém, pode-se perceber uma drástica evolução da mulher. Enquanto no passado a ambição feminina se restringia a imaginar um futuro como secretária ou vendedora, hoje vemos uma onda de advogadas, médicas e engenheiras que surpreende homens acostumados a olhar o sexo oposto de cima para baixo, atrás de um balcão de loja ou escrivaninha. Até aí, tudo bem. Se a mulher é capaz de exercer tais profissões, por que não? É quando surge um Dom Juan que começa a putrefação mental. O problema está no cérebro feminino, adestrado (pelos machos, claramente) para observar tudo através de uma ótica emocional em detrimento de qualquer fagulha de racionalismo que poderia vir à tona no momento em que seu calcanhar de Aquiles é ativado; e é mais claro que a luz do dia que o ponto fraco da mulher é o homem. [volto a repetir que essa imundície não é aderida por todas as mulheres, mas pela maioria]. Ela, aflita desde criança para viver um grande amor (isso porque desde a mais tenra idade ensinaram-na a carregar esse fardo, ignominioso por sua pequenez de significância, de que o sentido da vida consiste em conquistar o coração de um homem), não resiste à tentação e é capaz de abandonar toda uma carreira brilhante quando crê que seu conto de fadas pode se tornar realidade. Larga a causa judicial, a cardiologia, a obra sob sua vigilância. O amor dela é sinônimo de estagnação.
A culpa da mesquinhez feminina sempre pendeu para o homem, mas do jeito que andam as coisas, a passos de ganso [Chaplin], logo a mulher também será convidada a ocupar o banco dos réus, pois deixa que o macho a domine.
Se as bases, lançadas pelas feministas e por tantos outros lutadores dessa causa, estão bem sólidas e firmadas, por que a mulher atual não deseja construir, sobre esse fundamento, um mundo que lhe permita iguais condições perante o homem? A edificação de uma humanidade mais justa para o segundo sexo [referência ao livro O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir] não pode ser apenas uma planta projetada no papel e esquecida na gaveta.

The B.

Trópico de Câncer

thebarbara 26/05/2007 @ 03:57

Surrealismo
O caráter decadente de uma Paris dos anos 30, num misto de ficção e realidade, sordidez e extravagância. Henry Miller, protagonista em primeira pessoa, é a representação do ser humano em busca da identidade latente, manchada por uma época que remonta um palco deplorável tomado por fome, depravação e fúria. A válvula de escape? O sexo. Visão de mundo? Mórbida e sem esperanças.
À nudez e crueza do relato marginal, adicione-se uma pitada significativa de perspicácia e bom humor: eis Trópico de Câncer. Na concepção do próprio autor: “Isto não é um livro, no sentido comum da palavra. Não, isto é um prolongado insulto, uma cusparada na cara da Arte, um pontapé no traseiro de Deus, do Homem, do Destino, do Tempo, do Amor, da Beleza...” Considerado 'Romance Maldito', Trópico de Câncer foi aclamado na França e proibido nos EUA, terra natal de Miller, até os anos 60. Um clássico. E os clássicos nunca deixam de ser atuais.

Uma das melhores obras que já tive o prazer de ler. Uma obra limpa, sincera, e, por isso, belíssima.

Trechos maravilhosos (porque, como diz Breton, "somente o maravilhoso é belo"):

"Havia um toque de primavera no ar, uma primavera venenosa e maléfica que parecia irromper das bocas de esgoto".

"Toda refeição começa com sopa. Seja de cebola, de tomate, de legumes ou qualquer outra coisa, a sopa sempre tem o mesmo gosto. No mais das vezes, seu gosto dá a impressão de que cozeram nela um pano de enxugar pratos - levemente rançosa, embolorada, escumosa. Vejo Eugene escondê-la na cômoda depois da refeição. Fica lá, apodrecendo, até a refeição seguinte. A manteiga também é escondida na cômoda; depois de três dias, tem o gosto do dedão do pé de um cadáver".

"Fui lançado para fora do mundo como uma bala".

"O papel de parede com que os homens de ciência cobriram o mundo da realidade está caindo aos pedaços. O grande prostíbulo em que eles transformaram a vida não exige decoração; é essencial apenas que o esgoto funcione convenientemente. A beleza, aquela beleza felina que na América nos segura pelos testículos, está acabada. Para compreender a nova realidade é necessário primeiro desmantelar o esgoto, abrir os canos gangrenados de que se compõe o sistema geniturinário que fornece os excretos da arte. O cheiro do dia é permanganato e formaldeído. O esgoto está entupido por embriões estrangulados".

"Durante sete anos andei, dia e noite, só com uma coisa na mente: ela. Se houvesse um cristão tão fiel a Deus quanto eu a ela, nós todos hoje seríamos Jesus Cristo".

"As ruas eram meu refúgio. E nenhum homem pode compreender o encanto das ruas até ser obrigado a procurar refúgio nelas, até ter-se tornado uma palha jogada para cá e para lá pelo próprio zéfiro que sopra".

"Outrora eu pensava que ser humano era o mais alto objetivo que um homem podia ter, mas vejo agora que isso se destinava a destruir-me. Hoje sinto orgulho em dizer que sou inumano, que não pertenço a homens e governos, que nada tenho a ver com crenças e princípios. Nada tenho a ver com a maquinaria rangente da humanidade - eu pertenço à Terra! Digo isso deitado em meu travesseiro e posso sentir os chifres nascendo em minhas têmporas".

Se fosse digitar todos os trechos que me agradaram, digitaria praticamente todo o livro (...) Eis estes aí para que se possa adquirir uma idéia de Miller, o anti-lugar-comum. :)

Surreal.

thebarbara 26/05/2007 @ 03:17

Homem Meus braços
Minhas pernas
Minhas antenas
Meus olhos
Minha boca
Minhas orelhas

Tudo se volta para uma direção
Eu não tenho opção alguma
Minha liberdade me condena
A ser tão desprovida de grilhões

É um soltar da imaginação
Que se converte em loucura
Essa demência consentida
Passa a ser característica forte
É o rastro que se deixa
A impressão que permanece

Surrealismo

Palavras ao vento jogadas
Com sentido
Sem sentido
Que importa?
Elas são sinceras
Porque não penso para registrá-las
Elas são sensatas
Porque não me esforço
Para aparentar
Uma criatura que não sou

Eu
Você
Nós
E a imaginação
Deixo que flua por onde quiser
Como quiser

Que esbofeteie as faces dos reais
Há momentos em que disfarçar
Já não vale mais nada

Esqueci a máscara
E me senti liberta

Deixei a persona na cabeceira da cama
E as algemas romperam por si sós.

Isso é ser surreal.
E ponto final.

Inútil. Mas não para mim.

thebarbara 24/05/2007 @ 03:58

aaaa As pessoas são desprovidas da fagulha essencial de tato. Sensibilidade é estado - sentimento, emoção? - raríssimo, presente somente nos espíritos mais agudos. Mata-se a Arte por um punhado de religiosidade, algumas notas de dinheiro, um "ter mais o que fazer". Mata-se a Literatura com um best-seller torpe, enlatado, esse negócio produzido para as massas. Best-sellers são desprovidos de tato. É um insulto louvar a imundície de Dan Brown - oportunista, mesquinho, insensível - e fazer de um Kafka apenas relíquia, belo para se olhar sob o prisma do hoje como algo "ultrapassado". A Humanidade é um mar de insultos. Cada grito da boca do povo é um rugir desconcertado; seu hábito é descompassado, sua existência não possui vida, seus filhos são pequenos déspotas com brilho nos olhos e sujeira nos lábios. Essa horda de desordeiros sem causa nos doa o resto de si própria, entrega seu nada como herança para as gerações posteriores, faz de si uma importância suprema que não permite entrever o mar de hipocrisia em que nada... Somos filhos de ninguém. O legado que deixaremos - que importa? Estupraram o significado do hedonismo; esse prazer aclamado do aqui, agora, intensamente, já não é digno de qualquer admiração. Olho à minha volta e sinto repugnância. Vejo as multidões e não consigo exercer o pouco de tolerância que ainda possuo. O mundo é uma pedra no meu sapato. E não me é permitido jogá-la fora. Se jogá-la, também pereço. Eis o mais cruel dos paradoxos.

Uma paráfrase de Miller, please.

thebarbara 24/05/2007 @ 03:28

mmm "Isto não é un livro [blog], no sentido comum da palavra. Não, isto é um prolongado insulto, uma cusparada na cara da Arte, um pontapé no traseiro de Deus, do Homem, do Destino, do Tempo, do Amor, da Beleza..." Eis meu blog.